Projeto CalangArte: Fim de Semana no Parque Sucupira

Entre os dias 30 de junho e 1 de julho (sábado e domingo) o projeto CalangArte em conjunto com outros coletivos de Planaltina – Nação Hip Hop, Família Mestre D’Armas, África Tática, promoveu um dia de atividades artísticas, recreativas e educativas no Parque Sucupira, localizado ao lado da Faculdade UnB Planaltina.

Durante o dia o coletivo CalangArte promoveu a Feira SolEco (Solidária e Ecológica) com moradores de Planaltina e estudantes da FUP/UnB, onde houve bazar, venda de mudas, chás e temperos, artesanatos regionais e praça de alimentação. Além da feira houve atividades de educação ambiental com as crianças presentes, em que houve pintura corporal com Urucum e confecção de placas educativas para boas práticas ambientais no parque. Os produtos desenvolvidos no curso de capacitação básica do manuseio do bambu também foram levados para recreação das crianças, onde elas brincavam, se alongavam, escalavam, pulavam.

Em seguida os outros coletivos que estavam promovendo o evento fizeram batalhas de rima, de dança breaking, campeonato de basquete, premiando os vencedores e como entretenimento houve teatro e shows no final da tarde para a noite.

O evento proporcionou fortes parcerias com o IBRAM – Instituto Brasília Ambiental, que administra o parque. A intenção é promover outros eventos similares e os técnicos sinalizaram interesse em construir estruturas de bambu no parque.

 

Se há tanta riqueza por que somos pobres?

Em laboratório do Terra em Cena coletivo VSLT trabalha em nova versão de peça sobre impactos da mineração no território Kalunga.

O coletivo Vozes do Sertão Lutando por Transformação (VSLT), um dos grupos que fazem parte do Coletivo Terra em Cena – programa de extensão e grupo de pesquisa da UnB –  esteve no final de semana de 25 e 26 de agosto em imersão para trabalho de laboratório com a peça sobre as ameaças e consequências da atividade minerária de grandes corporações em territórios de comunidades quilombolas e rurais. A estrutura narrativa da peça reflete sobre a pergunta feita pelo coro no prólogo: “Se temos tanta riqueza porque somos pobres?”

O Coletivo surgiu em outubro de 2013 após oficina que o Coletivo Terra em Cena ministrou na comunidade Engenho II para o grupo Arte e Kalunga Matec e outras pessoas interessadas. Atualmente, o grupo é composto por estudantes de diversos semestres da Licenciatura em Educação do Campo da UnB, de comunidades quilombolas Kalunga de Cavalcante e Teresina de Goiás, e por adolescentes Kalungas que moram em Cavalcante e cursam o ensino médio.

A peça já foi apresentada em dois seminários de Tempo Comunidade da Ledoc da UnB na região: em novembro de 2017, em Cavalcante, e em Teresina de Goiás, em maio de 2018. O laboratório consistiu na ampliação da expressão corporal do elenco, por meio do trabalho de composição de imagens cênicas articuladas à declamação de poemas, e na reconfiguração dos elos entre as cinco cenas que compõem a peça, além do prólogo e epílogo. Partimos de exercícios como a Máquina de Ritmo, do sistema do Teatro do Oprimido, para construir um trem com os corpos do elenco, por exemplo. Brincadeiras infantis como João Bobo foram utilizadas na construção de cenas: o movimento desse jogo foi assimilado para descrever em cena o movimento pendulante de uma personagem que é pressionada pela empresa minerária, de um lado, e pela comunidade contrária à retomada da mineração, por outro.

O trabalho cultural em desenvolvimento pelo Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) foi de grande valor para o laboratório que fizemos. Como alguns dos integrantes do coletivo VSLT são integrantes dessa organização, trouxeram para a cena uma das canções (Dragão de Ferro) construídas pela Brigada Nacional Carlos Drummond de Andrade, no período em que esteve trabalhando em Conceição do Mato Dentro (MG), e também disponibilizaram ao grupo vários exemplares do livro Poema Mineral, coletânea de poemas organizada pelo MAM, que agrega pormas de diversos poetas que abordam a questão da mineração. Com esse material à disposição pudemos ler e selecionar poemas de Carlos Drummond de Andrade para incorporar à estrutura da peça. Também incorporamos no texto um poema Haikai, de Infinita Devi, uma poeta e atriz que reside em Cavalcante: “Sangram engrenagens! Morrem paisagens…”

O trabalho com poemas nos demandou o desenvolvimento de uma linguagem corporal que pudesse dialogar com as formas do texto poético, para isso construímos frases coreográficas a partir da dinâmica do mundo do trabalho da mineração, em contraponto à frases inspiradas nas formas de animais da fauna do território ameaçado pela atividade minerária.

Na noite de sábado o elenco se reuniu para assistir ao vídeo “Narrativas de Ferro” feito em parceria do MAM com a cia Estudo de Cena. Uma das integrantes do VSLT, Ana Leda, participou da construção do vídeo e pôde detalhar o método de construção do trabalho, que articula depoimentos de moradores, dados do impacto minerário na região de Conceição do Mato Dentro (MG) e no Brasil, e trabalho com teatro imagem e improvisação dos membros da oficina ministrada para construção do filme. As cenas construídas abordam o medo da comunidade com o risco de rompimento da barragem de rejeitos, tal como ocorreu na cidade vizinha de Mariana, e contaminou 800 km do rio.

A nova versão da peça do VSLT, que agrega à estrutura épica da peça as linguagens da poesia, do audiovisual e da dança  será apresentada no seminário de Tempo Comunidade que ocorrerá entre 21 a 23 de setembro no território Kalunga, em Cavalcante,  e na sequência, no dia 24 de setembro à tarde, no campus de Planaltina da UnB, como parte da programação da III Mostra Terra em Cena e na Tela, atividade que integra as ações da Semana Universitária na FUP.

Participaram do laboratório, além dos integrantes do grupo, os professores da Ledoc e integrantes do Terra em Cena Rafael Villas Bôas, Caroline Gomide e Eliene Novaes.

Rafael Litvin Villas Bôas

Coordenador do programa de extensão e grupo de pesquisa Terra em Cena

 

Curso de Extensão em Socioeducação e Desenvolvimento Humano

Este mês a Faculdade UnB Planaltina deu início a mais uma iniciativa no campo da socioeducação, o Curso de Extensão em Socioeducação e Desenvolvimento Humano. A proposta do curso foi concebida coletivamente por professores e estudantes da FUP juntamente com os profissionais da Unidade de Semiliberdade Feminina do Guará, vinculada à Secretaria de Estado de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude do DF (SECriança). Mobilizados por questões do cotidiano de trabalho e das relações interpessoais, os servidores da semiliberdade buscaram parceria com a universidade com a intenção de constituir um espaço qualificado de escuta e, ao mesmo tempo, um espaço sistematizado de estudo, aprendizagem e construção coletiva de práticas de trabalho que promovam o desenvolvimento das adolescentes em cumprimento da medida socioeducativa.

Buscando fomentar a relação universidade-sociedade a partir de uma perspectiva mutuamente transformadora, essa iniciativa extensionista fomenta a democratização do acesso aos conhecimentos, técnicas e soluções geradas na universidade pública, ao mesmo tempo em que também contribui para o redimensionamento da função social da universidade. A convivência com a realidade social e com a prática profissional socioeducativa é caminho indispensável à construção colaborativa de alternativas e soluções que representem avanços e conquistas no campo dos direitos dos jovens autores de atos infracionais.

Cynthia Bisinoto

Faculdade UnB Planaltina

 

II Seminário de Educação do Campo e Memória coletiva da Luta pela Terra

Aconteceu entre os dias 06/07 e 09/07 o II Seminário de Educação do Campo e Memória coletiva da Luta pela Terra, na comunidade de Palmeirinha, município de Unaí. O evento foi produzido pela Licenciatura em Educação do Campo (LEdoC) da FUP em parceria com a Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucurí (UFVJM) e lideranças locais.

Ao longo dos 4 dias do seminário, foram ouvidos depoimentos de pessoas que participaram da luta pela terra na região de Unaí desde os anos 80, com o objetivo de resgatar essa história. Também ocorreram atividades diversificadas voltadas à educação do campo, como observações astronômicas, oficina literária e oficinas de ciências. No último dia do seminário os participantes encontraram com o Caminho do Sertão (https://caminhodosertao.com.br/), projeto que propõe uma imersão sócioecoliterária no sertão mineiro através de uma travessia a pé inspirada pela obra de Guimarães Rosa. Nesse último dia os participantes puderam participar de rodas de conversa e de um pedaço da caminhada, o que contribuiu para desenvolver uma noção mais ampla do território e suas características.

O evento foi uma atividade de Tempo Comunidade da LEdoC, isso é, uma das atividades formativas que o curso promove nos territórios do campo. Foi também uma das atividades do projeto de extensão Educação do Campo e Memória da Luta pela Terra no Sertão Mineiro. Para mais informações sobre o projeto procurar o prof. Nathan Pinheiro (nathancp@unb.br) ou a profa. Elizana Monteiro (elizana.monteiro@hotmail.com).

Nathan Pinheiro

Faculdade UnB Planaltina.

 

Intercâmbio entre Licenciaturas em Educação do Campo da UnB e do campus de Bom Jesus da UFPI fortalecem articulações entre Educação, Cultura e Direito

Nos dias 02 e 03 de agosto de 2018 ocorreu no campus de Bom Jesus, da Universidade Federal do Piauí, o 1º Seminário e 1º Ciclo de Oficinas Culturais da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc)/CPCE: arte, direito e educação na construção da resistência camponesa. O evento teve como objetivo promover reflexões, intercâmbios e práticas acerca da arte, do direito e da educação na construção da resistência camponesa, rumo à emancipação social dos sujeitos do campo.

A Educação do Campo da UnB esteve representada pela coordenadora do curso de Licenciatura em Educação do Campo, professora Eliene Novaes Rocha, também integrante do Fórum Nacional da Educação do Campo (Fonec), pela professora egressa da Ledoc Adriana Gomes, mestranda da Faculdade de Educação da UnB e pelo professor Rafael Litvin Villas Bôas, da Ledoc e coordenador de extensão da Faculdade UnB Planaltina.

Na manhã do primeiro dia foram apresentados os resultados da pesquisa coordenada pelos professores Ozaías Batista e Socorro Pereira da Silva, sobre o “Perfil socioeducacional dos discentes da Educação do Campo”. A riqueza e minúcia dos dados coletados e sistematizados permitiu um diagnóstico do público discente da Ledoc/Bom Jesus, abordando questões como renda média das famílias, principais dificuldades para a permanência e conclusão do curso, relação com os movimentos sociais, etc. O questionamento sobre os dados oportunizou o debate sobre a metodologia da pesquisa, a partir do indagações sobre os critérios e focos do levantamento, aplicada à realidade dos próprios estudantes. 

A mesa sobre “Arte, direito, educação e política na construção da resistência camponesa: do planalto central à região do PDA Matopiba”, realizada a tarde, contou com a presença dos dois professores da UnB e do juiz Eliomar Rios da Vara Agrária de Bom Jesus-PI. Caso raro no meio judiciário brasileiro atual, o juiz demonstrou conhecer in locoas comunidades rurais do sul do Piauí, muitas vezes envolvidas em conflitos fundiários para resistir aos interesses do grande capital, que investe na estrangeirização de terras e produção em larga escala para exportação. A fala do juiz  deixou claro que os empreendimentos do agronegócio produzem efeitos danosos ao meio ambiente e aterradores à população local, a partir de expedientes como grilagem e grilagem digital da terra, associados à exploração do trabalho em fazendas pecuaristas e sojeiras, à privatização da água do subsolo para irrigação e ao uso livre de agrotóxicos e demais componentes do pacote tecnológico da agricultura capitalista. 

A mesa destacou-se ainda por abordar o entrelaçamento entre soberania territorial, soberania alimentar e soberania cultural, articuladas à soberania nacional, enquanto demanda de construção de um projeto de nação.

Tais articulações foram aprofundadas no segundo dia de evento, por meio da exposição do Sr. Carlos Humberto Campos (Cáritas Brasileira), cuja exposição foi antecedida por dois juris simulados, encenados por estudantes da Ledoc: um que abordou o tema das desigualdades de gênero no campo e outro que abordou a contradição entre os projetos de desenvolvimento do campo  (capital x trabalho) evidentes, entre as chapadas e baixões, na região do Vale do Gurguéia (sul do PI). O debate contou com forte participação de estudantes e professores da UFPI e de representantes dos movimentos sociais e sindicais presentes (CPT, MST, Fetag, Cáritas, Movimento Quilombola, etc).

O esforço de articular os temas do Direito, da Cultura e da Educação esteve presente também nas apresentações culturais do Coletivo Cenas Camponesas, estreando a peça “Luta Nossa, camponesa” (projeto de extensão da Ledoc/UFPI), do grupo de teatro “Improvisa Cantídio, da escola municipal de Cantídio/Comunidade Rural de Corrente dos Matões (Bom Jesus/PI), e do grupo de Maculelê da Comunidade Quilombola Brejão dos Aipins (Redenção/PI). 

Os dois grupos de teatro que se apresentaram, um de adolescentes de uma escola e outro de estudantes da Ledoc, abordaram dinâmicas do conflito fundiário no sul o PI: o tema da grilagem digital de terras e as consequências para a população camponesa, no caso do primeiro grupo, e as ameaças de jagunços que uma família de agricultores sofre para vender suas terras para um fazendeiro, no caso do segundo grupo. Nos dois casos o teatro tratou da questão agrária brasileira e dos conflitos fundiários a ela subjacentes, buscando dar forma estética aos problemas políticos e econômicos vivenciados pelas comunidades que vivem na fronteira agrícola de expansão do agronegócio, conhecida como Projeto de Desenvolvimento Agrária (PDA) Matopiba, por estar em área de fronteirados estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Por diferentes e criativos métodos, o seminário tratou de socializar conhecimentos em diferentes áreas, de maneira articulada, e envolvendo diferentes setores da sociedade e do Estado. Cabe destacar os concursos realizados na noite cultural, de forró, de melhor cachaça artesanal da região, de melhor doce caseiro e de melhor farinha de mandioca. Para cada atividade os concorrentes tinham que explicar a origem e o modo de produção dos produtos e os jurados tinham que elucidar ao público a razão de suas escolhas, tendo em vista os critérios previamente adotados. Além de divertida, a proposta se mostrou eficaz instrumento de propaganda da produção culinária da agricultura camponesa, dando voz aos produtores e produtoras locais.

Por fim, cabe salientar que o encontro proporcionou o intercâmbio entre as experiências de extensão doscampus de Planaltina da UnB e de Bom Jesus da UFPI e desenhou possibilidades de fortalecimento do intercâmbio entre as ações das duas licenciaturas e dos dois campi, os quais possuem características semelhantes. O próximo encontro da agenda é a vinda do grupo Cenas Camponesas para se apresentar na III Mostra Terra em Cena e na Tela, organizada pelo Coletivo e programa de extensão Terra em Cena, a ser realizada nos dias 24 e 25 de setembro de 2018, durante a Semana Universitária da UnB.

Eliene Novaes, Rafael Villas Bôas (professores da Ledoc/UnB), Kelci Pereira (professora da Ledoc/UFPI-Bom Jesus) e Adriana Gomes (Mestranda da FE/UnB).