Tornar as sociedades sustentáveis é, possivelmente, o desafio global mais importante desse século. A tarefa torna-se ainda mais relevante e complexa quando o conceito de sustentabilidade ultrapassa o seu sentido mais restrito de preservação da natureza e uso racional dos recursos naturais, para incluir temas como superação das desigualdades, saúde, qualidade de vida, equidade, justiça, dentre outros, como pode-se observar nos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) propostos pelas Nações Unidas.

Nas duas últimas décadas, as universidades têm sido colocadas em posição de centralidade no debate dos desafios da sustentabilidade, dada sua missão de produzir conhecimento e tecnologias, além de serem palco do debate das grandes questões científicas. Essa condição fez com que muitos autores passassem a cobrar das universidades a responsabilidade em serem exemplos de sustentabilidade para a sociedade.

Mundialmente, várias universidades têm se esforçado para implementar uma gestão ambiental sustentável no seu dia a dia. De acordo com Marcomin et al. (2019) a temática da sustentabilidade na universidade não pode estabelecer território exclusivo dos docentes/pesquisadores e gestores acadêmicos, uma vez que esta não existe isolada do seu contexto social. Dessa maneira, tratar de sustentabilidade no ambiente acadêmico ultrapassa os muros da universidade, ao mesmo tempo que a conscientiza para assumir sua responsabilidade social. Nesse contexto, as universidades têm ampliado suas bases pedagógicas, éticas e científicas para capacitar seus egressos a serem atores de uma trajetória socioambiental de cooperação para o bem comum e para o florescimento de uma cultura voltada para a sustentabilidade (Marcomin et al. 2009).

Educar para a sustentabilidade remete a mudanças de comportamento em termos de integridade ambiental, viabilidade econômica e justiça social para as gerações presentes e futuras. Além disso, as universidades devem levar em conta na educação de seus estudantes o impacto que seu comportamento tem no meio ambiente e na sociedade, e desenvolver novas estratégias para a sua minimização.

A Faculdade UnB Planaltina (FUP) tem estimulado o uso racional de recursos, educando para a sustentabilidade e buscando, de forma participativa, construir uma universidade sustentável.

Desde a sua inauguração em 2006, o campus de Planaltina desenvolve ações voltadas para a sustentabilidade, refletidas em um conjunto de publicações, pesquisas e ações de sustentabilidade realizadas por professores e professoras da FUP sobre aspectos da sustentabilidade no campus (disponíveis em http://fup.unb.br/producao-cientifica/).

Dentre essas podem ser citados: o projeto “Nosso Campus” (Bizerril et al., 2009); o projeto “Esperança Verde” na FUP (Layrargues et al., 2011; Layrargues e Dourado, 2011); o projeto “Recicla FUP” (Gonçalves et al., 2018; Silva et al., 2019; Ribeiro et al., 2019; Duraes et al. 2020 (no prelo)); o projeto “Compostagem”, dentre outros.

1. A Institucionalização da Sustentabilidade na FUP

O Regimento da FUP estabelece uma Assessoria de Sustentabilidade como parte da Direção do campus.

O Projeto Político Pedagógico Institucional (PPPI) da FUP, aprovado em 2012, destaca a sustentabilidade dentre os pilares que sustentam as missões do campus nas suas diferentes possibilidades:

Considerando o avançar da crise sistêmica de dimensão planetária, a FUP tem como missão orientar a intervenção ética e cidadã, refletida cientifica e socialmente, nas esferas do ensino, da pesquisa e da extensão para o desenvolvimento teórico e metodológico que contribuam para a resolução dos problemas socioambientais. Como diretrizes fundamentais para a construção de Universidades sustentáveis faz-se necessário: a) Considerar o ambiente acadêmico universitário como uma estrutura educadora da cultura da sustentabilidade; b) Considerar a gestão ambiental universitária como um processo educador contínuo dos princípios e práticas da sustentabilidade, com intencionalidade pedagógica permanente, vivencial, informal e extraclasse; c) Assegurar à comunidade acadêmica a aquisição de valores, conhecimentos, competências e atitudes sustentáveis em relação ao saber ambiental crítico e complexo; d) Ser um exemplo e testemunho de sustentabilidade por meio do estabelecimento de programas ambientais internos ao Campus e no contexto de sua abrangência comunitária e territorial; e) Adotar estratégias de melhoria contínua do desempenho ambiental no Campus universitário; f) Integrar os conhecimentos ambientais e os princípios da sustentabilidade nas disciplinas do ensino e nos projetos de pesquisa e extensão universitária; g) Realizar pesquisas e estudos que contribuam com o incremento de conhecimentos sobre o desenvolvimento sustentável; h) Desenvolver mecanismos permanentes de educação continuada dos servidores técnico-administrativos, docentes, discentes e egressos.

No início de 2019 foi organizado um grupo de trabalho para elaborar um Plano de Sustentabilidade para a FUP. O plano inclui a proposição de indicadores de monitoramento e a coleta dos dados para o primeiro Relatório de Sustentabilidade do campus. O grupo trabalha com 13 indicadores especificando as formas de mensuração e análise de cada um.

2. Ações de Sustentabilidade na FUP em andamento:

– Recicla FUP

O Recicla FUP surgiu em 2015, a partir de dois projetos de extensão, que buscam, implantar a coleta seletiva solidária com destinação dos resíduos recicláveis a uma cooperativa de catadores e, ações de sensibilização sobre a temática junto à comunidade acadêmica. De maneira geral, as ações do projeto visam, adequar a Faculdade UnB Planaltina a um modelo mais sustentável de desenvolvimento de suas atividades, compatível com a legislação brasileira para o gerenciamento de resíduos sólidos. Além disso, desde o início, os projetos vêm contribuindo para o desenvolvimento de pesquisas e produção acadêmica na temática de resíduos sólidos, além de capacitar os discentes para o mercado de trabalho e a pós-graduação.

Para mais informações acesse o site: https://www.reciclafup.com.br

– Usina fotovoltaica

A usina termodinâmica na FUP foi inaugurada em 2019. As 132 placas têm capacidade para gerar 44 kWp (quilowatts-pico), com uma economia de cerca de R$ 4 mil/mensais na conta de luz da unidade – o que corresponde a 12% da fatura, em média.

– Monitoramento de Água e Energia

Publicado em outubro de 2015, o decreto 8.540/15 estabelece boas práticas de gestão e uso de energia elétrica e água nos órgãos e entidades da Administração Pública Federal, direta, autárquica e fundacional para o monitoramento do consumo. Sendo assim, a FUP realiza o monitoramento de água e energia desde sua inauguração 2006-2019. Os dados estão disponíveis no Plano de Sustentabilidade da FUP.